O Tempo
- Thales Malassise Luiz
- 19 de nov. de 2024
- 1 min de leitura
Eu ouço o tempo,
não os relógios,
mas no ranger dos trilhos,
no sopro do vento
que lambe as ruas ra cha das
e empilha os passos apressados
no coração de uma cidade sem sossego.
Há tempo para tudo,
Me disseram,
mas aqui não há tempo para nada,
ele grita engarrafado,
ele engole os cafés apressados,
ele pisa em mim como pisa em todos,
porque o tempo,
é um operário,
cheio de calos, e ranzinza.
E eu, jovem e velho ao mesmo tempo,
olho para o espelho embaçado
e pergunto ao tempo:
até quando?
E ele ri, silencioso,
e me diz, entre dentes invisíveis:
“Você é só mais uma poeira
neste redemoinho que eu crio.”
E mesmo assim, eu escrevo,
porque o espaço-tempo pode ser deus,
mas aqui, na alma que escreve,
eu o domino,
nem que por uma fração de segundo.

O Tempo. Thales Malassise Luiz, 2024
A gente sente como cada milésimo é precioso, quando poucos minutos se tornam inesquecíveis.